Para inscrições façam fila se faz favor
“Inscrever-se significa, pois, produzir real. É no real que um acto se inscreve porque abre o real a outro real. Não há inscrição imaginária e a inscrição simbólica (apesar do que pretende a psicanálise) não faz mais do que continuar a realidade já construída. Quando o desejo não se transforma, o Acontecimento não nasce, e nada se inscreve.
Assim, um amor inscreve-se porque aumenta o desejo. É um encontro de potências que amplifica a potência dos desejos. A transformação do desejo vai ao encontro do diagrama do desejo, do trajecto das suas potências virtuais em direcção à sua actualização presente. Por isso a inscrição faz o presente, um presente de sentido, não situado no tempo cronológico, que dá sentido à existência individual ou à vida colectiva de um povo.”
Isto é, a acreditar no que diz Rodrigues da Silva, no JL de Janeiro de 2005, o resultado de José Gil ter tido a “humildade de libertar o seu discurso do jargão académico e filosófico e descer à terra”. E tive o cuidado de fazer uma citação mais extensa para evitar tirar do contexto.
[Portugal, Hoje: O medo de existir, pags 48-49]

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